quarta-feira, 6 de março de 2013

CURRÍCULO INCLUSIVO: O DIREITO DE SER ALFABETIZADO


Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa

CURRÍCULO INCLUSIVO:
O DIREITO DE SER ALFABETIZADO

Ano 03
Unidade 01
Apresentação - Equipe 4


Os objetivos da unidade:
• entender a concepção de alfabetização na perspectiva do letramento;
• aprofundar a compreensão sobre o currículo nos anos iniciais do Ensino Fundamental e a definição de direitos de aprendizagem e de desenvolvimento nas áreas da leitura e da escrita;
• compreender a importância da avaliação no ciclo de alfabetização, analisando e construindo instrumentos de avaliação e de registro de aprendizagem;
• construir coletivamente o que se espera em relação aos direitos de aprendizagem e desenvolvimento no ciclo de alfabetização.

Ponto de partida:

Currículo no ciclo de alfabetização
[...] um conjunto de intenções educativas e um conjunto de diretrizes pedagógicas que se articulem para orientar a organização e o desenvolvimento da sua prática educativa. Referenciais mais amplos - de natureza político-filosófica, epistemológica e didático-pedagógica - definidos conjuntamente, oferecerão as bases para a análise da realidade atual da escola e o planejamento da intervenção sobre ela. (MURTA, 2004, p. 21)

A avaliação diagnóstica é importante, pois possibilita elaborar o planejamento, atendendo às necessidades gerais da turma e às individuais das crianças. Sabemos que não existe turma homogênea, cada estudante tem suas especificidades, as quais
precisam ser atentamente observadas, a fim de que possamos desenvolver atividades, ajudando- os a ganhar autonomia em leitura e produção de texto. Sabemos que não é tão simples. Atender a todos os estudantes implica provocar, desafiar,levar a refletir sobre o Sistema de Escrita Alfabética, entender os textos que lê. Ensinar é uma provocação e só ensina quem aprende, sem esta  concientização, não atingiremos o objetivo desejado: as aprendizagens dos estudantes, em todas as áreas do conhecimento.


Alfabetização: o que ensinar no terceiro ano do ensino fundamental

Para que, de fato, as crianças estejam alfabetizadas aos oito anos de idade, necessitamos promover o ensino do sistema de escrita desde o primeiro ano do Ensino Fundamental e garantir que os conhecimentos relativos às  correspondências grafofônicas sejam consolidados nos dois anos seguintes. Assim, é importante que no planejamento didático possibilitemos a reflexão sobre conhecimentos do nosso sistema de escrita, situações de leitura autônoma dos estudantes e situações de leitura compartilhada em que os meninos e as meninas possam desenvolver estratégias de compreensão de textos. Aos oito anos de idade, os alunos precisam, portanto, ter a compreensão do funcionamento do Sistema de Escrita Alfabética;o domínio das correspondências grafofônicas, mesmo que dominem poucas convenções ortográficas irregulares e poucas
regularidades que exijam conhecimentos morfológicos mais complexos; a fluência de leitura e o domínio de estratégias de compreensão e de produção de textos escritos.


...ou se atribui à alfabetização um conceito demasiado amplo (muitas vezes até mesmo ultrapassando os limites do mundo da escrita), ou, ao contrário, atribui-se a ela um conceito excessivamente restrito (a mera decodificação de fonemas e decodificação de grafemas). Tendências, como disse, igualmente perigosas: no primeiro caso, a qualidade da alfabetização é constituída de tão numerosos e variados atributos, que ela, sendo tudo, torna-se nada; no segundo caso, a qualidade da alfabetização é constituída de tão limitados e modestos atributos que ela, sendo pouco,torna-se também nada (SOARES,2003, p. 53).

Em relação à leitura e à escrita, no terceiro ano, é
preciso organizar o tempo de modo que:

1. Sejam planejadas situações de aprendizagem acerca do funcionamento do sistema de
escrita, caso algumas crianças ainda não compreendam os princípios do Sistema de
Escrita Alfabética;
2. Sejam planejadas situações de aprendizagem que ajudem as crianças a consolidar as
correspondências grafofônicas (relações entre letras e fonemas), seja na leitura ou na
escrita;
3. Sejam planejadas situações de aprendizagem da leitura e de produção de textos,
individuais e coletivas, de modo articulado ao eixo de análise linguística;
4. Sejam planejadas situações de aprendizagem da oralidade, sobretudo em situações
mais formais, de modo articulado ao eixo de análise linguística

Com base na pesquisa de Bernardin (2003) e de outras experiências
que temos vivenciado, sugerimos que o professor realize:

1. Exploração do que os alunos já conhecem, por meio de conversa.
2. Leitura e discussão coletiva de textos variados, para atender a diferentes propósitos previamente combinados com as crianças.
3. Produção coletiva de textos, com discussão sobre o que está dito e o como está dito.
4. Atividades de análise linguística, com foco em diferentes unidades da língua (letras / fonemas, sílabas, palavras, textos, dentre outros...), seja para o ensino do sistema alfabético, seja para o ensino de outros conteúdos curriculares relativos à língua.
5. Atividades de reconhecimento das práticas culturais de escrita, com reflexões sobre os gêneros textuais (reconhecimento, caracterização quanto a aspectos sociodiscursivos, composicionais e estilísticos), por meio da comparação de textos de um mesmo gênero ou de gêneros diferentes, inseridas em projetos didáticos e sequências didáticas.
6. Atividades individuais ou em duplas de leitura e produção de textos, inseridas em situações significativas de interlocução com outras pessoas.
7. Atividades de reflexão sobre temas e conceitos de outras áreas de conhecimento, por meio da leitura e produção de textos inseridos em projetos didáticos ou em sequências didáticas.
Avaliação para inclusão:
alfabetização para todos
[...] a avaliação cruza o trabalho pedagógico desde seu planejamento até a execução,
coletando dados para melhor compreensão da relação entre o planejamento, o ensino e a
aprendizagem e poder orientar a intervenção didática para que seja qualitativa e contextualizada (SILVA, 2003, p.14).

[...] avaliar as próprias estratégias didáticas é fundamental para que possamos redimensionar o ensino, tendo como norte a avaliação do que os alunos fazem
e dizem. Ou seja, ouvir o aluno e tentar entender as respostas que eles nos dão a partir dos instrumentos de avaliação é o primeiro passo para pensar sobre os procedimentos didáticos que usamos no nosso cotidiano.

[...] a avaliação sempre tem que ser formativa, de maneira que o processo avaliador  independente de seu objeto de estudo, tem que observar as diferentes fases de uma intervenção que deverá ser estratégica. Quer dizer, que permita conhecer qual é a situação da partida, em função de determinados objetivos gerais bem definidos (avaliação inicial); um planejamento de intervenção fundamentado e, ao mesmo tempo, flexível, entendido como uma hipótese de intervenção; uma atuação na sala de aula, em que as atividades e tarefas e os próprios conteúdos de trabalho se adequarão constantemente (avaliação reguladora) às necessidades que vão se apresentando para chegar a determinados resultados (avaliação final) e a uma compreensão e valoração sobre o processo seguido, que permita estabelecer novas propostas de intervenção (avaliação integradora).
(Zabala, 1998, p. 201)

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